DOSES PEQUENAS

Por Bárbara Tessari Paim

Em doses pequenas se degusta o mundo. O mundo vira do avesso. Conforme vai sentindo o sabor da vida, se inala as dores. Prudência de experimentar o mundo apenas com o sabor da vivência. Vida essa que não tem fim, que toma conta e faz refletir: Qual o verdadeiro sabor da palavra existir?

Existir. Palavra que, isolada, parece não ter sentido. Experiência de vivenciar aquilo que vem do fundo da alma. Sentir se torna percurso e consolida a palavra existir. Para que se vive se o sabor da vida não depende somente das lições vividas e reaprendidas? Força de cores que detalham o tempo e transformam sua paisagem, e o sabor da existência se denomina de sentimentos internos.

Construir e reconstruir-se, dualidade fugaz de estar e ser, vivendo diariamente a vida. Vida que se transforma e revigora. Não importa se está quente ou frio, se o sabor degustado é doce ou amargo. Quando não se vive para engrandecer o ser, o sentido talvez não exista. E sentir se torna algo próprio, engrandecido pelo próprio organismo que exala em degustar aquilo que de certa forma não tem mais sabor.


Em doses pequenas um mundo se delimita e organismo descobre a própria essência.  

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