BONS TEMPOS AQUELES

Por Eloiza Timm

Bons tempos aqueles em que o meu pensamento buscou nas lembranças de outrora. Crianças brincando de roda, pega-pega, esconde-esconde e outras brincadeiras mais.
Os dias eram longos e bem vividos porque já acordávamos com o pensamento nas próximas aventuras que tínhamos pela frente. As crianças brincavam soltas, reuniam a vizinhança e era só festa, com todo tipo de brincadeiras. Não lembro de brigas ou discussões, mas de um pequeno paraíso onde havia segurança, liberdade e satisfação.

Quando não estava na escola, ajudava minha mãe, pois era a mais velha e tinha várias incumbências como auxiliá-la nas tarefas caseiras e cuidar dos meus irmãos. Para não estragar as brincadeiras, eu conciliava com meus afazeres. Então, quando eu, brincando, saia para o trabalho, fazia o que me competia na vida real.

Nosso quintal era grande e tinha, além de uma parreira, muitas árvores frutíferas como caqui, pêssegos, ameixas e laranjas. Subíamos nas árvores e tínhamos uma preferida − um pé de caqui mais baixo, cheio de galhos −, que era o nosso avião. Brincávamos de teatro e fazíamos show no galinheiro vazio.

Certa vez até tentamos cavar o solo para fazer uma piscina, mas o emaranhado de raízes era tanto que acabamos por desistir.
À noite, depois de um dia de trabalho exaustivo, nossos pais sentavam-se à frente das casas na calçada para descansar e conversar. Portas abertas, luzes acesas, sem medo, livres para ir e vir.

Nessa época não éramos cobrados como as crianças de hoje e o nosso tempo era mais livre para brincarmos. Vejo muitas crianças na fase melhor de sua infância com aulas de natação, inglês, dança e outros compromissos, mas sem a disponibilidade de usar o tempo como bem lhe aprouver. Já, desde pequenas, tem o tempo todo tomado de horários preestabelecidos e sentindo as pressões das expectativas dos pais.

Só tenho boas lembranças da infância e recordo de cada detalhe. Vivi todo tipo de experiências que uma criança tem direito de passar.


Eram outros tempos aqueles, que se foram e não voltam mais, em que a alegria da vida era o alimento para o desenvolvimento sadio da mente, do corpo, e da alma das crianças da minha geração.

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