SENTIDO DA VIDA
Por Eloiza Vettorato Timm
Falamos sempre em sentido da vida, mas qual o sentido da vida para
cada um de nós? O que nos move, nos faz crescer e acreditar? Para cada um, o
sentido da vida parece tomar vários caminhos e ramificações.
Desde muito jovem tive uma vontade muito grande de conhecimento. Fui
uma buscadora, lia livros profundos, com uma sede devoradora, como Pietro
Ubaldi, Trigueirinho e outros, a maioria espiritualista. Para poder ficar em
casa lendo, muitas vezes deixei a vida social em segundo plano. Aprendi muito e
isso me dava muito prazer, mas com o tempo comecei a notar que não estava mais
me satisfazendo, pois os ensinamentos se repetiam de formas variadas. Eles chegavam
até um certo ponto e não iam além e eu queria mais e mais suprir a minha
necessidade do saber, sempre no campo espiritual.
Com o transcorrer dos anos, li diferentes evangelhos, de diferentes
religiões. Pensei que estas leituras abririam novos horizontes, mas pouco me
ajudaram. Uma das razões foi a forma da escrita, outra razão era porque ficava
pensando o quanto o sentido dos textos teria mudado com tantas traduções e
significados diferentes para cada língua, até chegar ao português. Não absorvo
tudo que leio como verdade, mas questiono muito, pois acredito que os escritos,
como são feitos por seres humanos, são imperfeitos. Então, deixo meu eu
interior decidir no que acreditar.
Nessa busca trilhei vários caminhos e teve um, que não é religião, que
mais me satisfez, a filosofia da Ordem Rosa Cruz. Nesta tradição, os aspectos
científicos e espirituais andam juntos e cheguei a completar até o sexto grau.
Foram muitos anos da minha vida em que o estudo dessa filosofia me absorveu e
preencheu o meu vazio. Infelizmente não tive a persistência de continuar, talvez
porque eu estava passando por uma fase em que meus interesses foram desviados
por acontecimentos que abalaram a minha mente consciente.
Essa busca foi o que norteou minha vida desde a juventude, tanto que
cheguei a pensar em seguir a vida religiosa, mas nem sempre as coisas acontecem
como se planeja. Nas férias que estava
me despedindo do mundo conheci meu marido e acabei casando. Daí para frente
tive que dar outro sentido a minha vida, a minha família. Queria uma família
bem estruturada e tudo que fiz foi neste sentido, dar segurança, conforto e
amor, não me importando com os sacrifícios que eu teria que passar para
conseguir.
No entanto, até hoje sinto aquele vazio que não consegui suprir,
aquele algo mais que quero desvendar, pois parece que chegamos a um limite, a
uma cortina e não temos permissão de ver o que há atrás. A verdade depois da
morte tem explicações diferentes para cada religião, mas como será na realidade,
creio que não sabemos. Há apenas vagas explicações, como o céu, o inferno, o mundo
astral... Eu tenho minhas crenças, procuro o melhor, acredito que todas tem seu
lado positivo, mas não sigo nenhuma.
Creio que as respostas estão dentro de nós, no nosso eu interior e
também nos livros. Talvez não tenha me dado o tempo para encontrar porque a
minha mente está sempre ocupada, distraída pelos afazeres do cotidiano ou pelo
lazer. Talvez tenha medo do que terei de enfrentar e não queira ver. Talvez o
meu comodismo e egoísmo me deixem numa zona de conforto de onde eu não queira
sair.
Na verdade, bem lá no fundo, sabemos o sentido da nossa vida. Estamos
aqui para crescer, evoluir, nos transformar e transformar o mundo, mas para
isso precisamos nos desapegar das coisas materiais, deixarmos de pensar em nós
mesmos para pensar nos nossos irmãos, termos compaixão e praticar a caridade,
entre outras coisas. Mas saber e não ser, não resolve, então, às vezes, não
queremos saber por que é mais cômodo viver sem tanta responsabilidade.
Isto tudo seria o ideal para quem de fato se propõe a assumir um
compromisso com o caminho espiritual, porém eu não me sinto preparada para
tanto. Ser uma boa mãe, esposa e pessoa, procurando agir corretamente, sem
prejudicar os outros e tendo como caminho uma vida baseada nos princípios morais
já seria o suficiente, sempre tentando melhorar, é claro.
Enfim, buscar a paz interior e escutar o que minha alma tem a dizer talvez
preencha mais o vazio do que procurar fora o que não vou encontrar.
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