A ÁRVORE
Por Marlova Mendes
Numa linda manhã de verão
estacionei o carro sob uma goiabeira, na frente do prédio onde moro, aguardando
por um familiar. Essa goiabeira foi plantada há uns 10 anos, pouco tempo depois
que fui morar neste local.
Ao meio dia, sob o sol a
pino, a sombra da árvore era maravilhosa. Entre os galhos passavam raios de luz
e, enquanto eu aguardava debaixo dela, levantei os olhos e fiquei impressionada
pelo emaranhado de galhos e folhas que se desenvolveram durante a sua vida.
A árvore, vista de baixo
para cima, parecia um ninho, um intrincado labirinto de galhos finos e grossos,
como se fosse uma delicada trama de fios, um lugar no qual buscaria abrigo se
eu fosse um passarinho.
Observando esse cenário,
pensei que cada galho representa um momento da nossa vida, bom ou ruim, um
dependente do outro para existir. E me questionei: Onde é o começo de tudo? A
resposta é límpida: na infância. É lá que começamos a criar laços de
afetividade que nos acompanharão até o seu fim.
Lembranças da infância,
brincadeiras, amigos, brinquedos, fragmentos da vida embalados por uma linda
sinfonia, que sem que percebamos ficam adormecidas em nossas mentes por muitos
anos, como um repositório do qual vamos necessitar quando envelhecermos.
Como por acaso, essas
lembranças se tornam necessárias, importantes, uma fonte de felicidade que
chega até doer. Que mágica é essa? O que essa volta ao passado significa? Ainda
não tenho respostas, mas penso que
surgirão, é só uma questão de tempo.
Assim, verdadeiramente,
como os galhos da árvore, vamos tecendo cada acontecimento do nosso tempo,
tecendo a nossa vida!
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